Em 1948, Ilse começou a praticar atletismo na Sogipa. Disputando diversas modalidades, logo teve destaque, especialmente, nos arremessos. Ainda em seu primeiro ano, no campeonato citadino, obteve medalhas de ouro, prata e bronze, respectivamente, no disco, no peso e no dardo. Na temporada seguinte, conquistou quatro medalhas de ouro no campeonato estadual, além de quebrar por três vezes o recorde gaúcho do arremesso de disco e por duas vezes o de arremesso de peso. Em 3 de setembro de 1950, na prova do arremesso de disco do campeonato de juniores, torna-se dona do recorde brasileiro pela primeira vez. No final do mesmo ano, domina os campeonatos municipal e estadual em todas as categorias que disputa. Em janeiro de 1951, participa do campeonato brasileiro de atletismo no Rio de Janeiro, subindo quatro vezes ao pódio, nos arremessos de disco, peso e dardo, além do revezamento 4 x 100. Com o sucesso quase imediato, Ilse não tardou a ser laureada pelo clube do bairro São João.[1][2]
Logo após o campeonato brasileiro, Ilse vai para a Alemanha passar um período acompanhada de sua mãe. Lá disputa algumas provas pelo TSG Bergedorf, de Hamburgo.[3][4] Em seu retorno ao Brasil, os técnicos, Alexandre Davis e Carlos Richter, tinham se desentendido com a diretoria da Sogipa e resolveram trabalhar na reabertura do Departamento de Atletismo do Grêmio. Embora um pouco hesitante, Ilse acompanhou a mudança para o tricolor. Sua estréia se deu na competição de atletismo do 48° Aniversário do Grêmio, em 23 de setembro de 1951, e não poderia ser mais marcante, com nova quebra do recorde brasileiro do arremesso de disco.
Nos 5 anos em que esteve no Grêmio, Ilse conquistou onze medalhas de ouro em campeonatos estaduais. Nos campeonatos brasileiros, venceu no arremesso de disco duas vezes (1953 e 1956) e no arremesso de dardo uma vez (1956). Além disso, conquistou uma medalha de prata e duas de bronze em campeonatos sul-americanos.[5] Na inauguração do Estádio Olímpico, foi porta-bandeira, ao lado de Pedro Majewski e Sisson.[6] No final de 1954, sofreu uma lesão do tendão de Aquiles que lhe tirou do campeonato estadual daquele ano e de parte da temporada seguinte.[7] Após sua excelente participação no Troféu Brasil de 1956, por razões desconhecidas, não foi convocada para o Campeonato Sul-Americano.[8] Em uma de suas frequentes viagens à Alemanha, conheceu seu futuro marido, Walter Kirsten. Eles casaram em 7 de abril de 1956 e mudaram-se para a Alemanha pouco depois. Antes de desligar-se do clube, por incentivo de Luiz Emílio Correia Meyer, Ilse tornou-se atleta laureada do Grêmio, sendo a primeira mulher a receber a honraria. Ao deixar Porto Alegre, ela doou todo o seu material para a FARG.[9][10]
Na Alemanha, Ilse ainda participou de algumas provas competindo novamente pelo TSG Bergedorf. Não muito depois de sua chegada ao país, no entanto, decidiu abandonar o esporte e dedicar-se ao lar. Ilse detém, ainda hoje, diversas marcas recordes pelo clube alemão. Ela faleceu em 2017, em Hamburgo.
Ilse conquista o ouro I Troféu Brasil (1951) Fonte: Esporte Ilustrado
Ilse conquista o ouro II Troféu Brasil (1952) Fonte: Esporte Ilustrado
Vera Trezoitko (Pinheiros), Noêmia Assumpção (Tietê), Ilse e Elisabeth Clara Muller (Pinheiros) Etapa do II Troféu Brasil, no Rio de Janeiro (1953) Fonte: Jornal dos Sports
Ilse em sua última competição Campeonato Brasileiro de 1956 Fonte: Gazeta Esportiva
Pedro Majewski, Ilse Gerdau e Sisson na inauguração do Olímpico Fonte: O Cruzeiro, 23 de outubro de 1954